Vamos pular o muro?

Por Isaias Costa

O Raul e o Zezinho...
O Raul e o Zezinho…

Uma das músicas do Raul Seixas que só os seus fãs conhecem é a “No fundo do quintal da escola”. Essa música é incrível e realmente tenho vivido na pele boa parte das reflexões propostas por ela. Ela nos encoraja a pular os muitos muros presentes na vida e que, muitas vezes, nós mesmos que construímos com um concreto duro e espesso. Neste texto eu quero lhe fazer refletir sobre isso e estimulá-lo a também pular os seus próprios muros, que sei que são vários… Vamos viajar?

Esta é a música com a letra completa:

****

Não sei onde eu tô indo
Mas sei que eu tô no meu caminho
Enquanto você me critica, eu tô no meu caminho

Eu sou o que sou, porque eu vivo a minha maneira
Só sei que eu sinto que foi sempre assim minha vida inteira
Eu sei..

Não sei onde eu tô indo
Mas sei que eu tô no meu caminho
Enquanto você me critica, eu tô no meu caminho

Desde aquele tempo enquanto o resto da turma se juntava pra:
Bate uma bola!
Eu pulava o muro, com Zézinho no fundo do quintal da escola

Não sei onde eu tô indo
Mas sei que eu tô no meu caminho
Enquanto você me critica, eu tô no meu caminho

Você esperando respostas, olhando pro espaço
E eu tão ocupado vivendo, eu não me pergunto, eu faço

Não sei onde eu tô indo
Mas sei que eu tô no meu caminho
Enquanto você me critica, eu tô no meu caminho

E se você quiser contar comigo e melhor não me chamar pra jogá bola
tô pulando o muro com o Zézinho no Fundo do quintal da escola
Eu tô..
Eu tô pulando o muro com o Zézinho no Fundo do quintal da escola
Eu tô..
Eu tô pulando o muro com o Zézinho no Fundo do quintal da escola
Eu sempre estive lá
Eu tô pulando o muro com o Zézinho no Fundo do quintal da escola

****

Essa música mostra perfeitamente esse lado maluco do Raul de viver a sua própria vida à sua maneira. Eu acho a sua originalidade fantástica. Ele morreu bem jovem, eu sei, mas viveu intensamente, não era motivado pelo medo ou por condicionamentos. Não fazia as coisas só porque os outros faziam ou porque era o “certo”. Ele simplesmente seguia o seu caminho, em consciência.

Agora eu lhe questiono! Você tem seguido o seu próprio caminho? Você sente vibração com o seu trabalho? Você ama o contato com as pessoas da sua família? Você gosta do convívio com os seus amigos? Você tem grandes sonhos para o futuro? Por incrível que pareça, essa música nos leva a ter tais questionamentos!

O Raul inicia a música dizendo: “Não sei onde eu tô indo. Mas sei que eu tô no meu caminho. Enquanto você me critica, eu tô no meu caminho. Eu sou o que sou, porque eu vivo a minha maneira. Só sei que eu sinto que foi sempre assim minha vida inteira…”. Aqui há uma interpretação fantástica. Esse “não sei onde eu tô indo” é o grande diferencial não só do Raul, mas de todas as pessoas que decidem sir da massa, sair da boiada. As pessoas medíocres sabem exatamente onde estão indo porque simplesmente fazem o que todo mundo faz, são extremamente previsíveis e suas ações são tão comuns que elas passam pela vida como um “sopro do dragão”, como só mais um na multidão, morrem e seus nomes rapidamente são esquecidos.

O Raul jamais queria esse destino cruel para sua vida, tanto é que revolucionou, seu nome é lembrado e até mesmo idolatrado por muitos. Eu o admiro demais e tudo que eu leio a seu respeito procuro interpretar para aprender algo de bom, e sempre consigo encontrar, exatamente porque ele vivia em busca da liberdade de pensamento. A maior liberdade que pode existir é a de pensamento e tenho procurado desenvolvê-la. Eu acho simplesmente um tesouro você ler os pensamentos de alguém e extrair desse alguém algo de positivo, sem se preocupar com rótulos, com origem, com a vida que o autor viveu. Essa experiência é LIBERTADORA. Eu já li textos de algumas pessoas que, se eu colocasse seus nomes aqui, nossa! Eu seria mutilado pelos leitores. Quero lançar esse desafio. O que acha de pouco a pouco perder o medo de ler outros autores e textos que você jamais na vida pensou em ler antes? O Raul sempre fazia isso e elevou sua consciência a níveis extratosféricos. Quer tentar?

O que acabei de colocar foi o pulo de um muro, o muro CULTURAL. Somos impreguinados por uma cultura que limita nossas possibilidades. Por que limitá-las? A sociedade nos limita para que sejamos reféns desse sistema totalmente voltado para a barganha e o consumo. É possível se libertar e propús um possível caminho agora a pouco.

Eu já pulei tantos muros na minha vida! Você nem sabe! Vou citar alguns. Um dos primeiros foi o da TIMIDEZ. Eu era extremamente tímido, calado e retraído. Tinha até medo das pessoas, não tinha coragem nem de olhá-las nos olhos. Mas fui me trabalhando e trabalhando e, hoje em dia, minha timidez não me impede mais de conseguir e conquistar aquilo que eu quero pra mim.

Trabalhando a timidez

Outro muro enorme, enorme mesmo, foi o caminho para as pesquisas em Física, que havia escolhido na Graduação. Durante o curso fui descobrindo que não era o que eu realmente queria, eu queria ensinar, então estava no lugar errado e convivendo com as pessoas erradas. Decidi sair de lá e seguir meu caminho em outro curso. Não foi nada fácil, mas foi necessário.

Outro muro gigantesco foi o religioso. Já fui bem religioso, mas fui descobrindo o quanto eu estava me limitando em cresças e preceitos que não fariam eu dar o melhor de mim, além de conviver com muitas pessoas que queriam me moldar a um sistema que, definitivamente, não condiz com a minha natureza humana. Foi muito duro e difícil pular esse muro, tive que desfazer várias amizades, mas realmente foi necessário.

Esses são só alguns exemplos. Vale ressaltar a importância do tempo, que tão bem o Raul colocou na sua música. Ele diz: “Você esperando respostas, olhando pro espaço. E eu tão ocupado vivendo, eu não me pergunto, eu faço…”. Foi exatamente isso que eu sempre fiz na minha vida. Não fiquei esperando demais as coisas se resolverem sozinhas, porque quase sempre não se resolvem. Ficar olhando pro espaço é o mesmo que viver uma vida entorpecida e fria, o que ocorre com muitas pessoas de forma bem mais comum do que se pensa. É preciso TOMAR UMA ATITUDE, ser CORAJOSO. Eu precisei de muita coragem para tomar essas decisões que citei e muitas outras que não foram citadas, mas aprendi muito com cada experiência e isso tem feito de mim uma pessoa melhor a cada dia.

Vamos pular muros? Conto com você…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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Vamos pular o muro?

5 comentários sobre “Vamos pular o muro?

  1. Simplesmente maravilhoso o seu texto Isaías, eu percebo que a cada texto você vem se superando, vem se esforçando para passar para os seus leitores o que você realmente sente. Muito bacana, continue sempre assim você está no caminho certo.
    E não poderia deixar de comentar a música do grande Raul Seixas, muito linda essa música e muto profundo a sua letra. O Raul foi, é, e sempre será o cara.
    Grande abraço meu querido Isaías!

    1. Muito obrigado Genário. Eu procuro escrever seguindo o meu coração e acredito que é através do coração que a gente consegue atingir mais e mais pessoas e também mais eficazmente. Caminhemos e cresçamos juntos. Grande abraço!

  2. Parabéns Isaias, você decifrou tudo de uma maneira “BRILHANTE” !!!
    P.s.:Raul com certeza ficaria orgulho e surpreso por essa sua análise.
    Sou músico/Compositor e gostaria (se possível) que decifrasse essa minha canção abaixo…
    Abraço e felicidades !!!
    Att
    João Anderson

    1. Caramba João Anderson! Gostei da tua música cara. Tu toca guitarra super bem! Parabéns mesmo.

      Com relação à música. É claro que percebi sim uma doce de “Raul Seixas” por trás das frases. Que cara inspirador né não esse baiano magricelo.

      Essa frase aqui me chamou muita atenção: “Vejo as cartas marcadas, fantasmas moldados em série, seguindo as leis do jeito que eles querem.

      Renasce do sonho da vida, o homem que aprende a viver, ao ver que tudo aqui não vale nada.”

      Vamos atrás sim das verdades escondidas por aí. O Raul sempre dizia que não existia verdade absoluta, apenas verdade individual. Sua verdade jamais será igual a minha, e vice-versa.

      Uma famosa frase do Raul diz isso aqui: “Ninguém morre, só desperta do sonho da vida”. Sua frase tem muita semelhança com essa do Raul e percebi de cara. Profunda sua mensagem.

      Esses fantasmas moldados em série talvez sejam as pessoas que estão no mundo do trabalho iguais a robôs sem alma, apenas fazendo as coisas do jeito que eles querem, os grandes empresários, os chefes das corporações, o sistema midiático, os donos do poder…

      Esses fantasmas moldados em série me lembra o Raul na sua S.O.S: “Lá por de trás da triste e linda zona sul, vai tudo muito bem, formigas que trafegam sem porque…”. Essas formigas são as pessoas indo trabalhar sem terem um sentido mais profundo de porque estão trabalhando. Tua a ver com o que você disse na sua música…

      E o título da música é muito bom também: “Fênix”. Ave lendária que renasce das cinzas, cinzas essas representadas pelo sonho da vida que o Raul disse. Ou o homem que aprende a viver seguindo o seu coração e aprendendo a amar, como você disse na sua música e no clipe.

      Parabéns João Anderson. Fico feliz de ter pessoas inteligentes e artísticas lendo os meus textos. Isso me deixa honrado. Continue acompanhando o blog e fique à vontade para dar suas contribuições. Abração meu amigo!

  3. Valério Marques Viana disse:

    Isaías… cada texto seu que eu leio eu fico com os olhos marejados, e quero ler mais e mais, porque… coincide com tudo o que eu penso e sinto – e se eu não havia pensado antes, aprendo com o novo. Eu apenas gostaria de saber levar pra frente isso tudo, PRA QUEM QUISER APRENDER JUNTO. Só que eu ainda tenho certa dificuldade – não guardo tanta informação pra multiplicar… mas vou tentando. Fique em paz!

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