Mamãe aqui tá mais escuro

Por Isaias Costa

ilustracao-mito-da-caverna

A música “Rock do diabo” é rechassada pelas pessoas religiosas e que têm medo destas músicas que tratam de temas espinhentos como Deus, Diabo, Céu e Inferno. Farei uma breve reflexão não da música completa, até porque boa parte dela não entendo, pois faz parte das ideias místicas que o Raul aprendeu durante sua vida. Vou me ater a apenas uma estrofe.

O vídeo com a letra completa estão logo abaixo:

Rock do diabo- Raul Seixas

Me dê um porco vivo
Para eu encher minha pança
Três quilos de alcatra
Com muqueca de esperança…

Diabo!
O diabo usa capote
É Rock! É Toque! É Forte!
Diabo!
Foi ele mesmo
Que me deu o toque…

Enquanto Freud
Explica as coisas
O diabo fica dando toque…

Existem dois diabos
Só que um parou na pista
Um deles é do toque
O outro é aquele do exorcista…

Diabo!
O diabo usa capote
É Rock! É Toque! É Forte!
Diabo!
Foi ele mesmo
Que me deu o toque
Huuuum!…

Enquanto Freud
Explica as coisas
O diabo fica dando os toque…

Mamãe disse a Zequinha
Nunca pule aquele muro
Zequinha respondeu
Mamãe aqui tá mais escuro…

Diabo!
O diabo usa capote
É Rock! É Toque! É Forte!
Diabo!
Foi ele mesmo que
Me deu o toque…

Enquanto Freud
Explica as coisas
O diabo fica dando os toque…

O diabo é o pai do rock!
O diabo é o pai do rock!
Então é very god rock!
O diabo é o pai do rock
Enquanto Freud explica
O diabo dá os toque…

*****

A estrofe é esta: “Mamãe disse a Zequinha, nunca pule aquele muro. Zequinha respondeu, mamãe aqui tá mais escuro…”. Uma possível interpretação desta estrofe pode ser levada para o conhecidíssimo mito da caverna de Platão, que muito provavelmente você já leu. De qualquer forma, vou colocá-lo aqui resumidamente.

O Mito da Caverna

O mito fala sobre prisioneiros (desde o nascimento) que vivem presos em correntes numa caverna e que passam todo tempo olhando para a parede do fundo que é iluminada pela luz gerada por uma fogueira. Nesta parede são projetadas sombras de estátuas representando pessoas, animais, plantas e objetos, mostrando cenas e situações do dia-a-dia. Os prisioneiros ficam dando nomes às imagens (sombras), analisando e julgando as situações.

Vamos imaginar que um dos prisioneiros fosse forçado a sair das correntes para poder explorar o interior da caverna e o mundo externo. Entraria em contato com a realidade e perceberia que passou a vida toda analisando e julgando apenas imagens projetadas por estátuas. Ao sair da caverna e entrar em contato com o mundo real ficaria encantado com os seres de verdade, com a natureza, com os animais etc. Voltaria para a caverna para passar todo conhecimento adquirido fora da caverna para seus colegas ainda presos. Porém, seria ridicularizado ao contar tudo o que viu e sentiu, pois seus colegas só conseguem acreditar na realidade que enxergam na parede iluminada da caverna. Os prisioneiros vão o chamar de louco, ameaçando-o de morte caso não pare de falar daquelas ideias consideradas absurdas.

****

Quando a mãe do Zequinha lhe diz para não pular o muro é como se ela estivesse incentivando a sua cegueira existencial, sua inércia perante o novo, os desafios, o desconhecido.

Então o Zequinha, com sua esperteza diz: “Mamãe aqui tá mais escuro…”. Ele sabia que estava do lado das sombras e precisava de muita coragem e determinação para desobedecer as regras e pular o muro.

Na realidade, o Raul, em toda a sua vida pulou muros dos mais diversos possíveis e mostrava sua atitude através da música. Ele tem outra música que fala ainda mais diretamente sobre esse pular do muro, é a música “No fundo do quintal da escola”, que já escrevi em um texto anterior. Se você ainda não leu, o link está logo abaixo.

Vamos pular o muro?

O mito da caverna é riquíssimo de ensinamentos, mas os principais são o de ser autêntico, corajoso, se lançar ao novo e ao desconhecido, para assim, enxergar com mais profundidade.

O oceano do desconhecido

Aprenda com esse mito, essa música e o Raul Seixas a DESOBEDECER. Esta palavra é extremamente mal interpretada. Na vida é preciso desobedecer muitas vezes. Eu penso da seguinte forma, se a outra pessoa assume o papel de liderança na sua vida, ou seja, ela é alguém que você respeita, admira, tem como referência e tenta ser um pouco como ela, vale a pena obedecer. Agora se não, é preciso ter senso crítico e sensibilidade para saber se o que esta pessoa quer lhe ensinar, pedir, sugerir, impor, é algo que lhe fará alguém melhor. Se não, é preciso desobedecer, e se desobedece pulando o muro, mesmo se esse alguém for seu pai, sua mãe, seus irmãos, sua avó. O que importa é você e seu coração.

Portanto! Vamos pular o muro e enxergar a vida real. Vamos quebrar os grilhões que nos prendem dentro desta caverna cheia de sombras e vamos levar muitos outros com a gente nessa direção rumo a luz e a consciência elevada…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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Mamãe aqui tá mais escuro

Um comentário sobre “Mamãe aqui tá mais escuro

  1. Muito boa explicação fazendo analogia com o Mito da Caverna. Raul é isso: conhecimento. O auto conhecimento. E a descoberta. Sabe aquela coisa de mergulhar nas profundezas do conhecimento? Pois é… Nada raso satisfazia Raul. Ele buscava o desconhecido. O rock do diabo é isso. O diabo não necessariamente essa figura que imposta representando o mal. (Aquele do exorcista) mas sim aquele dos toques. Aquele que vem. Tentação e te faz pular o muro do desconhecido. Que te faz inclusive crescer espiritualmente. Deixar os velhos conceitos pra trás. As ilusões e falsas felicidades. Que te faz viver a sua verdade E o seu interior. A voz que vem do coração. A essência do Rock eh isso também. Te liberta. Quebra os conceitos e preceitos, quebra os modismos. Raul mesmo dizia: ” o rock eh mais que um estilo de música, é todo um estilo de vida. Abriu minha mente. A chave para abrir a porta das verdades individuais. A auto libertação do ser humano”… Então a música vai muito além dessa ideia de Diabo, do Mal, dessa figura diabolica que a igreja impõe. Enfim, vai muito além disso… ENQUANTO FREUD EXPLICA O DIABO DA OS TOQUE… VIVA RAUL!!!

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