O lado místico de Raul Seixas

Por Isaias Costa

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Quem já leu sobre o Raul Seixas sabe que ele tinha um lado místico, que foi alimentado e desenvolvido por influência do seu parceiro de composições Paulo Coelho. Esse tema do misticismo do Raul é cheio de controvérsias e más interpretações. Muitas pessoas dizem erroneamente que o Raul fazia “pacto do o diabo” tomando por base o seu misticismo. Mas digo que isso é um grande engano, pois não acredito nisso.

O que é o pacto com o diabo? É você se tornar alguém diabólico. E o que é ser diabólico? É ser aquele que separa, que desune. Esse é o significado da palavra diabólico. E, na realidade, o Raul não separava nem dividia, ele questionava, e a partir dos seus questionamentos, levava as pessoas a pensarem e expandirem seu lado crítico, seu lado das dúvidas, o lado criativo.

Em minha opinião, os homens que mais fazem “pacto com o diabo” dentro da nossa sociedade são a maior parte dos políticos, homens gananciosos e pilantras, que se vestem em pele de cordeiro, mas guardam no coração uma natureza humana perversa. Já o Raul não, ele sempre foi honesto, franco, sincero, emotivo, sentimental, amoroso… O fato de ele ser um questionador se deve muito ao seu lado místico, que elevou seu nível de consciência, e é sobre isso que quero tratar hoje.

O que me inspirou a escrever esse texto foi uma pequena citação de um trabalho científico de Abir Taha intitulado “Le Dieu à venir de Nietszche ou la rédemption du divin”, que dizia:

Assim, o Cristianismo primitivo representa para Nietzsche (como para os místicos cristãos) uma experiência interior, uma prática, e não uma “verdade” exterior. Por conseguinte, o verdadeiro Cristianismo não implica de modo algum uma aderência cega a uma quantidade limitada de ideias fixas (“Deus”, “Além”, “Paraíso”…), mas acima de tudo uma experiência espiritual direta com o “Deus interior” dos místicos.”

Nesta citação ele fala sobre o verdadeiro Cristianismo, que não se limita a ideias fixas como “Deus”, “Além” ou “Paraíso”, sendo uma experiência individual. Jesus sempre dizia “O reino dos céus está dentro de vós”. Ao dizer isso Jesus afirmava a não obrigatoriedade de se viver o Cristianismo dentro de uma igreja de pedra. Quero deixar isso bem claro, a não obrigatoriedade.

Você pode sim viver o Cristianismo em comunidades religiosas, mas pode também viver estando fora delas. Entender isso não é nada fácil para as pessoas extremamente religiosas, muitas delas veem quem não é engajado na igreja como alguém sem espiritualidade ou mesmo ateu. E esse tipo de pensamento mediocrizado fez e ainda hoje faz com que inúmeros conflitos religiosos aconteçam por todo o mundo.

Se as pessoas compreendessem verdadeiramente a mensagem de Jesus Cristo, o mundo seria completamente diferente, as pessoas seriam mais livres e mais sábias. Espero que ao ler esse texto você reflita sobre isso…

Essa mensagem do Abir Taha tem tudo a ver com o lado místico do Raul Seixas. Ele lia muito sobre diversos místicos e cresceu espiritualmente com seus ensinamentos. Essa é a principal mensagem que quero transmitir a você hoje. Ao contrário do que muitos pensam, se aprofundar nas mensagens dos grandes místicos só nos faz bem, porque eles tinham e tem um nível de consciência muito acima da média e podem nos ajudar demais a crescermos também, nos tornarmos mais sábios e, acima de tudo, mais humanos, pois não existe espiritualidade desconectada da dimensão humana.

Sinto dizer isso, e espero que você não me leve a mal, não estou aqui para ofender ninguém, mas eu já observei que muitas das pessoas mais religiosas não entendem bem essa conexão entre espiritualidade e humanidade, e assim, não agem no dia a dia, da maneira que possam ajudar o máximo de seres humanos no crescimento como um todo.

Muitos deles não desenvolvem a misericórdia, o amor incondicional, a compaixão, estão cheios de regras e preceitos. Mas nada disso nos eleva a consciência. O que nos eleva a consciência é a ÉTICA, a COMPAIXÃO, o olhar SEM JULGAMENTOS, o AMOR. Jesus era isso e muito mais, porém, a religião cristã que vemos hoje é bem diferente, pois é regida por regras instituidas por homens sem abertura para novos pensamentos, ensinamentos de outras ordens etc.

Eu admiro muito o Raul e me espelho nele por isso. Ele bebia de muitas fontes riquíssimas de sabedoria como Jesus Cristo, São João da Cruz, Krishnamurti, Paramahansa Yogananda, Bhagavad Gita, Lao Tsé, Rumi, Confúcio, Nietzsche, Buda etc. E aprendendo um pouco com cada um deles, expandiu a sua mente a níveis extratosféricos. Não é a toa que ele é visto por tantas pessoas como um gênio. Pois é! Saiba que os grandes gênios da humanidade tinham grandes referências, e as referências espirituais do Raul eram simplesmente as maiores.

Todos esses nomes que citei eram de místicos, e o Raul também se tornou um místico ao beber de suas sabedorias. Eu não tenho a menor pretensão de me tornar um místico, tenho defeitos demais, sou questionador demais. Isso é uma total utopia para mim. Quero com esse texto apenas levar você a refletir sobre a imensa sabedoria dos místicos.

Um que admiro demais e escrevo constantemtente sobre suas ideias é o Osho. Ele tinha uma visão da vida privilegiada, uma sabedoria absolutamente incomum. Quem lê os meus textos do blog “Para além do agora” já deve ter percebido que fiz várias reflexões sobre suas ideias.

Enfim! Desejo a você abertura de coração para assimilar essa ideia sobre os místicos. Todos eles foram homens brilhantes e que contribuíram e continuam contribuindo demais para que os seres humanos cresçam em consciência e amor, pois acredito que a finalidade de estarmos neste planeta é essa, tudo o mais é apenas complemento. Se quiser comentar ou acrescentar algo, fique à vontade. Este é um espaço de crescimento mútuo. Cresçamos juntos…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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O lado místico de Raul Seixas

2 comentários sobre “O lado místico de Raul Seixas

  1. Izabela Cristina disse:

    Interessante sua reflexão.
    Já imaginava que ele se inspirava nestes ensinamentos..ele fala muito sobre hermetismo também…
    Mas confesso que esperava que você fosse falar sobre o que ele queria dizer…qual mensagem além do que já sabemos…
    Vamos conversar à respeito?
    Acho massa!!

    1. Confesso que não entendo tão profundamente o lado místico do Raul e é por falta de mais estudos mesmo Izabela. Um dos livros de cabeceira do Raul era um que falava sobre os magos, mas não me recordo do título agora. É um livro interessante mas nunca tive a devida disposição para lê-lo. Se você tem outros conhecimentos sobre o ocultismo, que era a base do Raul, ficaria imensamente feliz e grato pela sua contribuição. Tudo que vier sobre o Raul que seja para agregar é sempre bem recebido. Grande abraço!

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