O cristianismo deveria se chamar crucianismo

Por Isaias Costa

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Lendo o excelente livro do místico oriental Osho chamado “Palavras de fogo – Reflexões sobre Jesus de Nazaré”, li um trecho que me fez lembrar de uma das mais críticas canções do mestre Raul Seixas, a música “Judas”, que até hoje ainda consegue causar muitas polêmicas, principalmente nos meios mais religiosos!

Farei uma breve reflexão a partir das suas palavras e linkando com a música do Raul. Leia abaixo…

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“Judas e Jesus eram amigos. Na verdade, sem Judas, Jesus não poderia existir. Algo na história fica faltando, algo muito especial está faltando. Pense em Jesus sem Judas. O cristianismo não seria possível. Não haveria nenhum registro de Jesus sem Judas. Em virtude da traição de Judas, Jesus foi crucificado; e como Jesus foi crucificado, o evento tocou no fundo do coração a humanidade.

O cristianismo nasce não devido a Cristo, mas devido à cruz. Assim, eu preferiria que o cristianismo fosse chamado de crucianismo. Ele não deveria ser relacionado a Cristo, mas à cruz.

Se você for às igrejas, verá que a cruz se eleva mais alto do que Jesus. Os bispos e os papas usam a cruz. O cristianismo nasceu da cruz. Mas, se você pensar isso, então quem é o autor da crucificação? – Judas, não Jesus.”

Osho

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É muito verdadeiro o que o Osho está dizendo com essas palavras. Judas é visto sempre como alguém perverso, alguém “do mal”, sendo que ele era sem sombra de dúvidas o apóstolo mais inteligente e preparado em termos de recursos entre os 12.

Ele era o mais estudado e o mais arguto também! Entendia como ninguém de finanças e economia e estava sempre lado a lado com Jesus lhe ajudando a fazer com que as peregrinações dos apóstolos se desse da melhor forma possível e com menos custos!

A verdade é que Jesus e Judas eram muito amigos. Não foi à toa que ele se suicidou não é mesmo? Ele jamais teria feito isso se não tivesse sido íntimo do mestre dos mestres Jesus!

Essas palavras do Osho lembram principalmente esse trecho da música: “Se eu não tivesse traído, morreria cercado de luz, e o mundo hoje então não teria a marca sagrada da cruz. E para provar que ele amava, pediu outro gesto de amor, pediu que o traísse com um beijo que minha boca então marcou…”.

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O evangelho apócrifo de Judas nos conta essa versão que a igreja católica abomina! Eu acho bem provável que o Raul tenha lido o evangelho de Judas “de cabo a rabo”, como se diz, e assim se inspirou para compor essa linda música!

Não se pode afirmar com 100% de certeza que essa é a “versão verdadeira”, porque existem mistérios infindáveis que circundam a pessoa de Jesus Cristo, mas eu simpatizo enormemente com essa versão de Judas!

Se Jesus não tivesse sido crucificado talvez hoje ele não passasse de mais um dos muitos profetas que nosso mundo já teve.

Eu acho muito interessante essa simbologia da morte! Ninguém pensa com profundidade sobre isso! O símbolo do cristianismo é um símbolo de morte terrível , dos mais cruéis que o ser humano da foi capaz de fazer, uma cruz.

Quando converso com amigos eu sempre brinco com essa simbologia. Eu digo assim: “Se Jesus tivesse morrido enforcado, o símbolo do cristianismo seria uma forca. Se ele tivesse morrido guilhotinado, o símbolo do cristianismo seria uma guilhotina ou se ele tivesse morrido eletrocutado, o símbolo do cristianismo seria uma cadeira elétrica, tudo isso pendurado no pescoço…”. Você já pensou que coisa mais macabra? Pois é! Bem vindo aos preceitos cristãos!

Talvez alguém leia esse texto pensando que estou de gozação, mas não estou! Escrevo isso pra que você se questione sobre as bases do cristianismo, que a meu ver, não tem absolutamente nada, repito, ABSOLUTAMENTE nada a ver com o mestre Jesus!

Quem lê meus textos sabe que eu tenha uma verdadeira fascinação pela sabedoria do Cristo. Eu digo o mesmo do grande Raul Seixas e digo o mesmo do místico Osho! Todos nós somos apaixonados pelo mestre Jesus, mas por quem ele foi de verdade, não o falso Jesus ensinado pelas religiões cristãs!

É preciso que tiremos da nossa cabeça e principalmente das nossas crenças mais arraigadas, essa ideia do sofrimento imenso que vem com a cruz de Cristo!

Quando vemos Jesus nas igrejas ele está com uma cara triste e cabisbaixa, como se sua morte na cruz tivesse sido um tormento sem medidas! É óbvio que ele sofreu muito e sentiu dores colossais, porém, no ápice da dor ele chegou a dizer: “Pai, perdoa-os, porque eles não sabem o que fazem…”.

Ele era tão amoroso e compassivo que mesmo nesse momento ele sabia olhar para os outros seres humanos! Como não amá-lo? Impossível!

As religiões se focam nessa dor de Jesus, sendo que ele era um poço de alegria, saúde e prosperidade! Ele ensinava a todos como ter uma vida com plenitude e beatitude, mas não nos focamos nesse lado. Por que? Para que continuemos sendo escravos dos padres e pastores e não alcancemos a verdadeira felicidade que provém da liberdade que Jesus tanto ensinava!

Jesus veio ao mundo para nos ensinar a sermos LIVRES e PLENOS. E esse caminho passa inevitavelmente por Judas! E no século XX acaba sendo resgatado pelo nosso baiano magricelo Raul Seixas e no século XXI por mim também!

Eu me sinto honrado em lhe ajudar a refletir sobre questões tão profundas nesse blog junto comigo e o Raulzito!

Concluo esse breve texto com essa linda música para animar a sua trilha sonora nesse dia!

“- Ei! Quem é você? Vamos responda?

Eu sou, eu sou JUDAS…”

 

O cristianismo deveria se chamar crucianismo

O mundo onírico de Raul Seixas

Por Isaias Costa

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De tanto ouvir as música do grande Raul Seixas, de repente me veio um insight muito interessante. Eu me dei conta do quanto o mundo onírico era algo predominante na vida dele. Só a titulo de informação, onírico está relacionado com os SONHOS.

Eu não duvido de forma alguma que muitas das suas composições surgiram depois de sonhos nos quais ele acordou com a lembrança viva na memória!

Vou citar aqui algumas das músicas em que ele fala sobre sonhos direta ou indiretamente. E de antemão já deixo você livre para comentar caso eu tenha esquecido de citar alguma ok? Vamos lá!

  • O conto do sábio chinês

Nessa música temos a frase: “Era uma vez um sábio chinês, que um dia sonhou que era um borboleta voando nos campos, pousando nas flores, vivendo assim um lindo sonho…”.

  • Gita

“Eu que já andei pelos 4 cantos do mundo, procurando, foi justamente num sonho que ele me falou…”.

Essa é uma das músicas mais profundas do Raul e não duvido nada que o próprio Krishna deu uma leve soprada nos seus ouvidos! kkkkkk

  • O dia em que a Terra parou

“Essa noite eu tive um sonho de sonhador, maluco que sou eu sonhei com o dia em que a Terra parou…”.

  • Canto para a minha morte

“Será que a morte irá me pegar no meio de um copo de uísque, na música que eu deixei pra compor amanhã? Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro? Virá antes de eu encontrar a mulher que me foi destinada e que está em algum lugar, embora eu ainda não a conheça?”

Aqui ele, indiretamente, está falando sobre o seu sonho de encontrar uma mulher que lhe fará imensamente feliz e que dividirá a vida com ele.

Esse rapaz era um romântico sonhador…

  • Você ainda pode sonhar

Pense num dia com gosto de infância, sem muita importância procure lembrar. Você por certo vai sentir saudades, fechando os olhos verá, doces meninas dançando ao luar. Outras canções de amor, mil violinos um cheiro de flores no ar.

Você ainda pode sonhar…”

  • A geração da luz

“Vocês vão ver um mundo bem melhor que o meu”.

Essa música revela um dos maiores sonhos do Raul, a de que um dia, num futuro beeeeem distante, vir a existir a geração da luz, com seres humanos de fato humanos e muito mais conscientes do que as pessoas que vemos hoje em dia.

A semente que ele ajudou a plantar já nasceu em nós raulsseixistas e pouco a pouco está atingindo mais e mais pessoas! Façamos cada um de nós a nossa parte para construir essa geração da luz tão sonhada pelo nosso amigo Raul, não é mesmo amigos?

  • Cantiga de ninar

“Nada tão belo como uma criança dormindo. Nem tão profundo como dormir sem sonhar.
Nem tão antigo como o sonho dos teus olhos. Nem tão distante como a hora de acordar

Dorme enquanto teu pai faz músicas. Que é a forma dele rezar.
Todos os sonhos na realidade. São verdades, se eu puder cantar…”

Nessa linda canção, o Raul revela o seu amor pelas três filhas que gerou e também por todas as crianças. O Raul amava as crianças e até já escrevi um texto aqui no blog falando só sobre isso, e você pode ler esse texto clicando [aqui].

  • Movido à alcool

“É triste ver que tudo isso é real porque assim como os poetas todos temos que sonhar…”

O Raul era um mega poeta sonhador!

  • Prelúdio

“Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só.
Mas sonho que se sonha junto é realidade…”

Sonhemos junto com o mestre Raul para que aos poucos vamos construindo a geração da luz com pessoas mais conscientes, amorosas e inteligentes…

  • Nuit

“E quão longa é a noite. A noite eterna do tempo
Se comparado ao curto sonho da vida…”

Essa é uma das músicas mais complexas e profundas do Raul. Ele se inspirou, entre tantas outras coisas, nas palavras do grande filósofo Arthur Schopenhauer.

  • Medo da chuva

“Aprendi o segredo, o segredo, o segredo da vida.
Vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar. Vendo as pedras que sonham sozinhas no mesmo lugar…”

Essa é outra música extremamente simbólica do Raul Seixas. Nela, ele fala sobre os homens e mulheres que deixam de viver grandes experiências por conta dos medos e das algemas implementadas pela religião, como o tal do “até que a morte nos separe”, jurado nos casamentos religiosos!

Essas pedras que sonham sozinhas no mesmo lugar são essas pessoas que não têm coragem de se arriscar a viver outros amores.

Também já falei sobre essa música com mais detalhes e você pode ler esse texto clicando [aqui].

  • Gospel

“Por que que eu passo a vida inteira com medo de morrer?
Por que que os sonhos foram feitos pra gente não viver?”

Essa foi uma linda música do Raul que ficou enterrada por 20 anos e só depois desse tempo é que ficaram sabendo da sua existência…

Certamente existem outras músicas nas quais ele fala sobre sonhos direta ou indiretamente!

Que todas essas belas reflexões lhe levem a também ter altos sonhos e busque realizá-los!

Viva Raul…

 

 

O mundo onírico de Raul Seixas

Agora é noite na sua existência

Por Isaias Costa

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As músicas do Raul Seixas são riquíssimas de ensinamentos e sabedoria. Uma das minhas favoritas é a “Século XXI”, cuja letra tem ensinamentos diversos e profundos. Já escrevi outro texto fazendo uma breve interpretação da sua letra completa, porém, nesse texto vou aprofundar a ideia contida em uma das suas estrofes, logo abaixo. Se quiser ler o outro texto segue o link.

Bem vindo ao século XXI

“Agora é noite na sua existência
Cuja a essência perdeu o lugar
Talvez esteja ai pelos cantos
Mas está escuro pra poder encontrar”

Essa noite na existência, levando para o contexto da música, tem a ver com a falta de sentido de uma pessoa que se deixou envolver completamente pela vida materialista, mas vai muito mais além!

Essa noite na existência pode até mesmo ser feita um paralelo com a expressão “noite escura da alma”, que foi enunciada e propagada a partir de São João da Cruz, que foi um dos grandes místicos que influenciou profundamente a obra artística do Raulzito.

São João da Cruz falava dessa noite escura da alma como sendo um período de imenso vazio e falta de sentido para a vida e que um dia todos nós iremos passar, mais cedo ou mais tarde.

Mas ao contrário do que muitos pensam, é maravilhoso passar por esse deserto pessoal, porque o que surge a partir dele é um DESPERTAR DE CONSCIÊNCIA e um desejo profundo por adentrar na espiritualidade, foi o que aconteceu com o Raul quando ele mergulhou fundo no mundo esotérico, ele estava cansado da vida puramente voltada para a matéria. Ele não podia conceber que a vida pudesse ser reduzida a tão pouco.

É por tudo isso que ele diz na sua música “Ouro de tolo” isso aqui: “Porque foi tão fácil conseguir e agora eu lhe pergunto ‘E daí?’, eu tenho uma opção de coisas grandes pra conquistar e eu não posso ficar aí parado…”.

Essas coisas grandes eram as conquistas do espírito, a elevação espiritual. Não é incrível?

Depois ele diz que a essência perdeu o lugar, talvez esteja ali pelos cantos, mas tá escuro pra poder encontrar. Essa essência é verdadeiramente aquilo que a ALMA pede. Os sonhos e anseios mais profundos. Todas as pessoas que se deixam afogar pelo “monstro sist” e se tornam extremamente materialistas acabam se afastando das suas essências e sofrem imensamente com isso, porque não conseguem ter uma vida plena.

Elas correm, correm, correm, e não saem do lugar, como ratos dentro das suas casinhas domésticas.

Você quer se engodar nessas garras do “monstro sist”? Estou convidando você a se libertar dele com essa breve reflexão. Seja um buscador da verdade, da verdade que mora dentro da sua alma…

Esse “aí pelos cantos” que ele coloca na música pode ter diversos sentidos, mas eu acredito que o Raul quis dizer sobre as nossas SOMBRAS INTERNAS e sobre o nosso INCONSCIENTE.

Muitos não sabem, mas o Raul era um profundo estudioso de Psicologia, e não tenho a menor dúvida que ele leu alguma coisa do Carl Jung, pois seus escritos e teorias tem uma relação muito grande com o esoterismo e com as culturas orientais, coisas que o Raul amava e devorava os livros.

Ele entendia bem estas teorias psicanalíticas do consciente, subconsciente e inconsciente, tão aprofundadas pelo mestre Jung.

Ele diz que está escuro pra poder encontrar a essência da alma, porque ela está obscurecida pelas sombras do inconsciente. As pessoas materialistas querem saber de tudo, menos conhecer a si mesmas, por isso elas criam crostas e mais crostas de sombras, que as afastam da essência.

Elas fogem e ele faz essa comparação com o “deixar pelos cantos”. A gente coloca de lado ou pelos cantos aquilo que não valoriza, não é mesmo? Então ele está dizendo isso, que as pessoas se afastam da essência por medo, condicionamentos e por engessamento da vida.

Daí acabamos voltando para a noite escura da alma, porque a nossa alma uma hora acaba “gritando” para que possamos revelá-la a nós mesmos e ao mundo!

Ele fala sobre tudo isso e muito mais apenas nessa estrofe da música! Percebe como o Raul era um cara extremamente sábio? Somente estudando muito a sua obra é possível compreender todas essas lindas mensagens que ele transmitia.

Espero que tenha gostado dessa breve reflexão! Viva Raul!

Agora é noite na sua existência

Uma interpretação alternativa da música “A maçã”

Por Isaias Costa

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Fiquei muito feliz em receber recentemente uma mensagem especial de uma amiga Raulsseixista me instigando a olhar para a linda música “A maçã” do Raulzito, sob uma perspectiva completamente diferente da que a maior parte das pessoas pensa!

A interpretação mais conhecida diz que ele compôs essa música como forma de “libertar” um de suas ex-esposas para viver outros amores! Acredito que essa interpretação é bastante coerente, pois todas as frases da música podem ser levadas para refletir desta maneira. Mas facilmente você pode encontrar na internet pessoas falando sobre essa música nessa perspectiva!

Esse texto é bem diferente! Vou viajar total na sua letra! Se prepare, porque você vai ler coisas que nunca leu antes sobre o mestre Raul!

Para que você compreenda esse texto, é fundamental assistir ao videoclipe oficial gravado pelo Raul em 1975, que dá pistas desta interpretação alternativa. Confira!

Se esse amor ficar entre nós dois
Vai ser tão pobre amor, vai se gastar

Se eu te amo e tu me amas
E um amor a dois profana
O amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais

Se eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita tua beleza
Como podes ficar presa
Que nem santa no altar

Quando eu te escolhi para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma, ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi que além de dois existem mais
O amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro mas eu vou te libertar
O que é que eu quero se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar

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No clipe desta música, o Raul é apresentado como um funcionário que está trabalhando estressado, está cheio de afazeres e volta para casa dormindo dentro do metrô. Chega em casa, troca de roupa e vai deitar para dormir e começar tudo de novo no dia seguinte.

Em nenhum momento do vídeo é feita insinuação sexual nem nada parecido, o que me leva a desconfiar que a mensagem original da música tenha a ver com seu relacionamento amoroso na época!

Essa é realmente uma dúvida que eu tenho e creio ser bem difícil de ser respondida por algum raulsseixista que esteja lendo esse texto!

Estou escrevendo esse texto dando bastante abertura para que você reflita sobre essa música junto comigo OK? Ele talvez seja apenas uma mera divagação, mas pode ser que não seja não é mesmo? hehehe

Enfim! É bem provável que essa música se trate de um diálogo dentro da sua MENTE, que está vivendo em conflito com o seu CORAÇÃO.

Ele começa dizendo: “Se esse amor ficar entre nós dois. Vai ser tão pobre amor, vai se gastar. Se eu te amo e tu me amas. E um amor a dois profana. O amor de todos os mortais. Porque quem gosta de maçã. Irá gostar de todas. Porque todas são iguais”.

Ele canta essa parte da música olhando para um espelho, ou seja, ele mesmo refletido! Não é bacana? Pensei nessa frase como sendo a pobreza de viver um amor formatado de acordo com o convencional, com a mediocridade! O amor de todos os mortais seria isso, os medíocres, que infelizmente, compõem a maior parte da população, não só do Brasil, mas do mundo inteiro.

E a maçã seria os caminhos convencionais oferecidos pela sociedade: ganhar dinheiro, trabalhar para enriquecer um patrão, ter reconhecimento, conquistar títulos, status e uma série de coisas que ele via como besteira, como baboseira!

E quem gosta de uma maçã vai gostar de todas, pois todas as maçãs são iguais, só levam você para o mundo da MATÉRIA, nenhuma maçã pode lhe levar para a TRANSCENDÊNCIA, para o mundo da ESPIRITUALIDADE, que encantava e fascinava o grande Raulzito!

Na estrofe seguinte ele diz: “Se eu te amo e tu me amas. E outro vem quando tu chamas. Como poderei te condenar. Infinita tua beleza, como podes ficar presa. Que nem santa no altar…”

Essa é uma estrofe complexa, mas creio que ele esteja falando sobre a grandeza que existe na nossa alma, essa grandeza que pode nos levar a sermos eternizados, como ele mesmo foi! Mas a maior parte das pessoas prefere ficar presa à vidas medíocres e sem graça.

Então como uma espécie de chacota, ele compara com a vida das freiras, que no seu entendimento, é monótona, escravizante e sem prazer!

Essa estrofe é um diálogo entre o CORAÇÃO e a MENTE. “Se eu te amo e tu me amas e outro vem quando tu chamas, como poderei te condenar…” talvez seja a tristeza do coração ao ver a mente seguir um caminho triste que só leva ao sofrimento associado à vida materialista!

É como se o coração dissesse: “Não vá por aí meu amigo! Não vá por aí! Esse caminho não vai te fazer feliz…”.

O único caminho que pode nos fazer felizes é o caminho que tem coração. Como falei em outro texto: “Há tantos caminhos, tantas portas, mas somente um tem coração…”.

Há tantos caminhos, tantas portas

Então o coração questiona que não pode condenar a mente porque ela escolheu seguir um caminho de sofrimento, entende? Eu acho essa visão bem interessante!

Depois ele vai para as frases finais da música: “Quando eu te escolhi para morar junto de mim. Eu quis ser tua alma, ter seu corpo, tudo enfim. Mas compreendi que além de dois existem mais. O amor só dura em liberdade. O ciúme é só vaidade. Sofro mas eu vou te libertar. O que é que eu quero se eu te privo, do que eu mais venero, que é a beleza de deitar…”

Nestas frases, é como se o Raul estivesse dizendo que está vivendo em conflito, porque está infeliz com o seu trabalho massacrante. Essa escolha de “morar junto de mim” seria a MENTE querendo dominar tudo, inclusive seu coração, suas escolhas, seus amores, seus sonhos! É daí que vem a perspectiva do “além de dois”, esse além são todos os setores da vida do Raul: amor, trabalho, dinheiro, família, saúde, lazer, espiritualidade etc.

O amor só dura em liberdade é sem dúvida a frase que resume essa música! Ou seja, o amor só pode existir na vida do Raul e de qualquer pessoa se ele vem em LIBERDADE.

Ciúme é sentimento de quem está identificado com a mente! Nessa frase ele está dizendo que sente ciúme, mas que vai libertar a mente. Talvez esse libertar possa ser uma mulher, mas acredito que ele quis ir mais além, talvez seja a sua mente, para dar lugar ao seu coração, e desta forma, abrir espaço para o verdadeiro amor!

Então ele conclui dizendo que o que mais venera é deitar. Na interpretação clássica, esse deitar significa “fazer sexo”. Pode ser! Mas pode e provavelmente é bem mais que isso! Esse deitar talvez seja a LIBERDADE DE PENSAMENTO.

O deitar tem essa conotação, deixar os pensamentos quietos, calmos, para poder relaxar.

Perceba! Quando vamos deitar para dormir, estamos com a mente cheia por ter passado o dia inteiro trabalhando, então serenizamos, aquietamos nossa mente, e dentro de minutos, já estamos dormindo!

O que o Raul mais gostava era de filosofar sobre a vida, se aprofundar nos mistérios da humanidade, conhecer o universo, os discos voadores etc. Ele associou essa sua busca com a palavra “deitar”, que significa deixar seus pensamentos livres!

Enfim! Essa é a que chamo de “interpretação alternativa” para essa música! Convido você a assistir mais uma vez a esse clipe para analisar se o que falei faz sentido com o que o Raul mostra nas cenas dele!

Eu acredito que essa é uma interpretação coerente, apesar de meio maluca! Mas isso é bom, afinal, o Raul também era meio maluco, não é? Por causa disso ele despertou fãs meio malucos como ele!

Nos vemos nas próximas viagens filosóficas rausseixistas…

 

 

Uma interpretação alternativa da música “A maçã”

O homem tem o direito de matar todos aqueles que contrariarem esses direitos

Por Isaias Costa

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Quem lê os meus textos, já percebeu que sou fã de carteirinha do Raul Seixas. Nesse texto de hoje você terá o privilégio de entender um pouco melhor quais eram os seus pensamentos mais profundos.

Estou estudando a sua Filosofia de vida e suas músicas há alguns anos e cada dia que passa, mais me encanto com a genialidade dele…

Ele tem uma música extremamente controversa chamada “A lei”, baseada nos escritos do “livro da lei”, a Lei de Thelema, que tem como criador o mago Aleister Crowley.

Como vivemos em um país extremamente católico, a maior parte das pessoas escuta essa música e fica se contorcendo por dentro. Por que será hein?

Eu não! Sempre tive uma natureza curiosa, sempre gostei de saber o por quê das coisas. Então eu ouvia toda a poesia incrível das músicas do Raul, todo o seu romantismo, e ficava me perguntando: Será mesmo que ele vivia essas coisas da Sociedade Alternativa?

Sabe o que eu digo a você? SIM. Ele vivia SIM!

Porém, existe uma frase muito difícil de entender na música “A lei”, que até esse momento não tinha conseguido entender. Essa aqui:

“O homem tem o direito de matar todos aqueles que contrariarem esses direitos”

Desde criança eu me questionava assim: “Caramba! Isso parece tão radical! Não parece muito com a índole do Raul Seixas, essa ideia! Parece tão contraditório…”.

E parece mesmo! Mas sabe o que é? É porque o seu pensamento era tão acima do nosso que quase ninguém conseguiu sacar a sua mensagem.

Eu também me questionava se o Raul teria assassinado alguém ao longo da sua vida. Você sabe e todos nós sabemos que ele só queria saber de beber, fumar, tocar violão! Sua ficha criminal sempre foi limpíssima! Se ele assassinou alguém foi ele próprio por causa dos seus vícios!

E então? O que será que ele quis dizer?

Li sobre essa música na Tese de doutorado do Luiz Alberto de Lima Boscato intitulada: “Vivendo a Sociedade Alternativa: Raul Seixas no panorama da contracultura jovem”.

Enfim! A real mensagem do Raul ao proferir essa frase não era matar no sentido do corpo físico. Nada disso! Era matar no sentido de NÃO SE ALIAR a essas pessoas, entende?

É uma questão de afinidades de propósitos e ideais. O Raul sempre se afinizou somente com pessoas LIVRES. Se quem se aproximava dele querendo uma amizade mais profunda e fosse cheio de condicionamentos, cheio de regrinhas morais, cheio de mimimi. Ele nem dava ouvidos.

Como ele era um cara super educado, sempre tratava essas pessoas com respeito e atenção, mas ele não se dava ao luxo de compartilhar seus melhores momentos com elas!

Eu não conheci o Raul pessoalmente, mas tenho certeza que se tivesse o conhecido, nós poderíamos ser amigos, porque meu lema foi e sempre será a LIBERDADE.

Nossa vida nesse planeta é tão passageira! Por que ficar preso nesse sistema tão quadrado? Por que se deixar ser engolido pelo tal do “Monstro Sist”? Eu mesmo que não! Tô fora! E estou lhe convidando hoje a também cair fora! Vamos?

Deixe esse sistema androidezante apenas para quem não quer expandir a consciência.

Se você está aqui e leu esse texto até agora, nem tenho dúvidas que você faz parte desse time.

Em resumo. Tanto a música “A lei”, quanto a própria Sociedade Alternativa, quanto praticamente todas as músicas do Raul, são um belo convite à LIBERDADE. Um convite para entrar de cabeça na SUA VERDADE, verdade essa que só pode vir com o autoconhecimento.

Muita gente vê o Raul como um cara perigoso porque não se dá ao trabalho de conhecê-lo melhor. Elas estão carregadas de medos, de crenças negativas, de condicionamentos, de dogmas etc. Talvez no fundo elas saibam que se o compreenderem, será um caminho sem volta!

Cuidado! Ao ler esse texto você corre um sério risco de querer ouvir um pouco mais o Raul! Não se preocupe! Vai ser bom! Tem todo o meu aval, beleza?

Portanto! Viva sempre a sua verdade, mas antes descubra qual é essa verdade através do autoconhecimento. Depois de conhecida a sua verdade, não tenha medo. Tenha bastante coragem e ousadia de “matar” quem contrariá-los. Fazendo isso, não tenha dúvidas! Você terá uma vida muito mais feliz e plena…

O homem tem o direito de matar todos aqueles que contrariarem esses direitos

Sou o cientista que faz a granada que o soldado lança para explodir tudo

Por Isaias Costa

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Outro dia eu li uma frase genial atribuída ao mestre Raul Seixas e que me fez refletir bastante sobre o nosso processo de DESPERTAR espiritual.

O Raul sempre dizia para todo mundo que era um ator que se disfarçava de músico e todos acreditavam. O sonho dele era ser escritor, mas sendo algo pouco valorizado no país, optou pela música, pois sabia que através dela poderia transmitir as mesmas ideias de uma maneira fácil e acessível.

A frase que li foi a que ele utilizou na descrição do disco “Novo Aeon”.

“Este álbum é todo em cima do Livro da Lei, que Aleister Crowley recebeu, ditado por um ser do Novo Aeon. Mas não é… apostólico. São simplesmente coisas que eu descobri e digo, porque tenho esses meios de dizer, porque meu trabalho é dizer, sacar, dizer. Sou o cientista que faz a granada que o soldado lança para explodir tudo. Não levei Aleister Crowley totalmente a sério, não. Aliás, eu acho que é isso que ele queria. Tirei coisas dele para mim, aproveitei.”

Fonte: dissertação “Novo Aeon: Raul Seixas no torvelinho de seu tempo”- Vitor Cei Santos

Essa comparação com a granada é absolutamente incrível, porque toda granada tem um poder destrutivo muito grande, mas com um detalhe fundamental, ela só é ativada se o seu pino de segurança for retirado. Ou seja, com o pino, ela não passa de uma coisa parecida com uma ata, não é mesmo?

O Raul utilizou de sua imensa sabedoria para dizer que suas mensagens estavam contidas em cada uma das suas letras, mas que elas só poderiam gerar mudanças nos ouvintes que estivessem atentos e receptivos a ela.

É quase como as belas palavras do mestre Jesus Cristo: “Aquele que tiver ouvidos para ouvir ouça”.

Nessa hora se torna fácil entender porque o Raul é amado por muitos e odiado por outros tantos, ele era tão genial que só é possível de fato entender as suas mensagens através de estudos e grandes reflexões. E nesse mundo caótico no qual vivemos hoje, quem é que está disposto a parar para compreender o que uma letra de música está querendo transmitir, não é mesmo?

Eu agradeço a Deus todos os dias por ter existido o Raulzito nesse planeta, um cara revolucionário, cujas ideias são extremamente libertárias.

O Raul, sem sombra de dúvidas, foi um homem que me ajudou demais a vencer barreiras internas e revelar para o mundo quem eu sou de verdade, e me ensinou a não ter medo de ser quem sou.

Falo isso de uma forma geral para todos que me leem agora. Nada supera a alegria e a plenitude de ser quem é. O Raul era um cara autêntico e muito sincero. Busque você também ser assim, e busque essa autenticidade seguindo sempre a voz do seu coração. É como disse num outro texto: “Uma vida plena é uma vida autêntica”. Nunca esqueça disso, OK?

E você? Já deixou que alguma das aproximadamente 400 granadas que o Raul compôs explodisse dentro de você e lhe impulsionasse a mudar, a ser você mesmo? A lhe levar a uma revolução? Eu tenho uma lista gigantesca dessas granadas do Raul, como “Gita”, “Metrô linha 743”, “Aquela coisa”, “Tente outra vez”, “Medo da chuva”, “O conto do sábio chinês”, “Areia da ampulheta”, “Um Messias indeciso”, “Eu também vou reclamar”, “A geração da luz”, “No fundo do quintal da escola” etc.

Cada uma dessas granadas e muitas outras têm ensinamentos que podem mudar a nossa vida, basta “ter ouvidos para ouvir”…

Sou o cientista que faz a granada que o soldado lança para explodir tudo

Êta vida danada

Por Isaias Costa

Raul e seus amigos kavernistas
Raul e seus amigos kavernistas

Uma música do Raul que gosto muito e tem uma melodia super alto astral é a “Êta vida”. Ela foi lançada no álbum “Sessão das dez” em 1971 pela banda Sociedade da Grã-Ordem Kavernista. Abaixo está o link com a música para você ouvir.

A Sociedade da Grã-Ordem Kavernista era composta pelo Raul Seixas, além dos cantores e compositores Edy Star, Míriam Batucada e Sérgio Sampaio.

Esta banda não deslanchou, porque a ditadura militar pressionou fortemente a eles e a praticamente todas as bandas que surgiam na época. Esta banda tinha caráter anárquico e por isso eles foram duramente reprimidos.

Ele fala nas frases iniciais:

Moro aqui nesta cidade
Que é de São Sebastião
Tem Maracanã Domingo
Pagamento a prestação
Sol e mar em Ipanema
Sei que você vai gostar…

Mas não era
O que eu queria
O que eu queria mesmo
Era me mandar!

Ou seja, a cidade do Rio de Janeiro. A cidade era linda, mas não as suas dificuldades financeiras. Tudo que ele queria era sair de tantas dificuldades, ele queria mesmo era se mandar dali…

Depois ele continua:

São Sebastião do Rio
Tudo aqui é genial
Na televisão à noite
Tem cultura e carnaval
Tem garota propaganda
Num biquine que é demais…

Mas não era
O que eu queria
O que eu queria mesmo
Era estar em paz!

Novamente ele elogia a cidade, que realmente é muito bonita. Ainda mais no início da década de 70, quando ela ainda não era tão coberta por prédios imensos.

E o refrão vem com as frases hilárias:

Mas Êta Vida danada!
Eu não entendo mais nada
É que esta vida virada
Eu quero ver…

Essa vida danada eram os desafios de viver sem dinheiro no Rio de Janeiro. O Raul praticamente passou fome por dois anos no Rio de Janeiro, nos anos entre 1968 e 1970, quando ele se aventurou a tentar o sucesso com a banda “Os panteras”. Eles lançaram apenas um álbum, mas não fez sucesso e isso deixou o Raul e sua banda em maus lençóis. Inclusive tem uma frase muito bacana na sua música “Ouro de tolo”, que resume bem o seu sofrimento vivido no Rio de Janeiro, essa aqui:

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome
Por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa

O bom é saber que em pouco tempo o Raul lançou seu primeiro álbum solo e a partir dele ficou imensamente famoso, tornando-se um mito. Em 1973, exatamente 2 anos depois do álbum “A Sociedade da Grã-Ordem Kavernista”, ele lança o álbum “Krig-ha, Bandolo!”, que fez um sucesso estrondoso com músicas como Metamorfose Ambulante, Ouro de tolo e Al Capone.

Enfim! Essa é a principal mensagem que o Raul quis transmitir com essa linda música. Espero que tenha gostado!

Êta vida danada