Por que eu preciso da aprovação dos outros?

Por Isaias Costa

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Estava lendo o livro fantástico do pai da Psicanálise Sigmund Freud intitulado “Psicologia de grupo e análise do ego”, de 1921, e um trecho em especial me chamou bastante atenção e me inspirou a escrever o texto que você lê agora! O trecho diz o seguinte:

“Se um indivíduo abandona a sua distintividade num grupo e permite que seus membros o influenciem por sugestão, isso nos dá a impressão de que o faz por sentir necessidade de estar em harmonia com eles, de preferência a estar em oposição a eles, de maneira que, afinal de contas, talvez o faça ‘em consideração a eles’”.

Sigmund Freud

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Nestas poucas palavras ele faz uma dura crítica à falta de AUTENTICIDADE da grande maioria das pessoas, que tem medo de questionar, medo de duvidar, medo de bater de frente com ideias, posturas, dogmas, instituições e por aí vai…

Nessa hora eu acabo me lembrando de duas frases incríveis do grande Raul Seixas, que desde sempre batia de frente com o sistema e queria seguir as suas próprias regras e leis. As frases: “Não sei onde eu tô indo mas sei que eu tô no meu caminho, enquanto você me critica eu tô no meu caminho…”, da música “No fundo do quintal da escola”, e “Siga o seu próprio caminho pra ser feliz de verdade…”, da música “Messias Indeciso”.

Essas frases do Raul mostram claramente o quanto ele era corajoso no mais profundo da palavra, que significa “viver pelo coração”. Ele não estava nem aí para o que os outros achavam dele, dos seus pensamentos e das suas ideologias. Ele queria apenas viver e ser feliz ao modo dele.

Infelizmente, o que o Freud critica em todo esse livro dele são os comportamentos de massa, de rebanho, que entorpecem o nosso senso crítico e nosso poder de escolhas e decisões.

Ele discordava de forma ferrenha e eu sem medo algum concordo com ele. Não sou tão cético ao ponto de dizer que os grupos religiosos ou ideológicos não são bons de um modo geral, mas tenho bastante cautela em não aceitar cegamente o que eles propõem.

Meu intuito ao escrever esse texto é apenas lhe levar a fazer esses simples questionamentos: “Até que ponto eu estou pensando por mim e seguindo aquilo que eu acredito de fato, com sinceridade?”. Esse é o tipo de questionamento que pode deixar um fundamentalista religioso com muita raiva de mim, mas vem cá? Será que estou fazendo um questionamento tão errado assim? Tão afrontador assim? Será que é errado eu pensar com a minha própria cabeça e não com aquilo que os outros me dizem que é o certo? O verdadeiro? Vamos! Não tenha medo de se questionar! Se você está aqui e está lendo esse texto até agora é porque no fundo já vem pensando sobre isso, senão já teria fechado esta aba há muito tempo! hehehe

Preciso falar sobre um medo que assusta muita, mas muita gente. O MEDO DA SOLIDÃO. O Freud está falando sobre isso indiretamente nessas palavras.

As pessoas têm NECESSIDADE de estarem em harmonia com as outras do grupo em “consideração” a elas! Veja só! O Freud colocou entre aspas. Por que será hein? Pois é! Pra questionar o leitor!

Se elas têm necessidade de estar em harmonia com todas as outras do grupo é simplesmente porque têm MEDO de serem expulsas da comunidade, de serem execradas, de serem hostilizadas, de serem vistas com “olho torto”…

Esse medo vem da INSEGURANÇA do indivíduo e da falta de AUTOCONHECIMENTO. Se você se conhece com mais profundidade, você certamente se ama, se você se ama, não tem porque deixar de expressar o que sente de verdade porque pode ser desaprovado pelos outros, entende?

Ele fala sobre as influências por SUGESTÃO, esse é um fenômeno psicológico muito interessante e não aprofundarei aqui porque é muito amplo. Mas quando um grupo se junta num mesmo propósito, numa mesma filosofia, numa comunhão de pensamentos, o pensamento de um entra em ressonância com o do outro e do outro e do outro até que se torna uma força magnética gigantesca. E essa força gigantesca muitas vezes enfraquece ou até mesmo elimina o pensamento crítico individual!

Isso é típico das igrejas que tem um pastor que fala com empolgação e jubilo, dos templos com gurus cheios de discursos bonitos e bem articulados. Eles HIPNOTIZAM os seguidores sabia disso? Eles aprendem técnicas para prender a atenção com maestria e isso faz com que os indivíduos deixem de ser indivíduos e passem a ser um grupo de massa, cordeirinhos que seguem o pastor, o mestre, o guru, o “grande sábio”…

O Freud nessas poucas palavras está criticando tudo isso. O Raul nas suas músicas também. E eu, na carona dos dois, estou lhe levando a se questionar sobre coisas muito simples e básicas, mas que muitas vezes tem medo de se questionar!

O que acha de se permitir pensar por você mesmo? E se você for expulso dos lugares? E se não lhe quiserem por perto? Não tenha medo! Saiba de uma coisa! Essas pessoas não estavam com você pelo que você é em essência, estavam pelo que você representava, pelo papel que você desempenhava e não mais do que isso!

Se isso acontecer, saiba que foi uma libertação! Pode ser que você sofra, que fique triste, que tenha dúvidas ou até tenha alguma vontade de voltar atrás, mas isso passa, pode ter certeza!

Enfim! Há muito mais a ser refletido, explorado e aprofundado nessas palavras brilhantes do senhor Freud, mas deixo as reflexões com você agora!

“Siga o seu próprio caminho pra ser feliz de verdade…”.

 

 

 

 

 

 

Por que eu preciso da aprovação dos outros?

O que o Raul Seixas pensaria das músicas atuais?

Por Isaias Costa

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Eu já me fiz a pergunta que intitula esse texto inúmeras vezes e acredito realmente que esse texto pode se aproximar da resposta que o próprio Raul daria se estivesse vivo hoje.

O que sempre me levou a questionar isso é a qualidade das músicas que são comercializadas e espalhadas pelas grandes mídias.

Não precisa ser nenhum “expert” em música para saber que houve de fato uma decadência impressionante na profundidade das letras, das melodias e arranjos e diversos outros fatores.

Gosto até de lembrar as sábias palavras do grande Ariano Suassuna que escrachou a banda “Calypso” em uma aula que ele deu e existe disponível no youtube para assistir.

O Suassuna se mostra preocupado de a banda “Calypso” ter sido a “banda do ano” e o guitarrista “Chimbinha” ter recebido o mega elogio de “guitarrista genial”. Dá vontade até de rir não é mesmo? “Chimbinha”!

Brincadeiras à parte! Vamos ao questionamento!

Tive o insight para escrever esse texto ouvindo uma entrevista bem bacana com o amigo do Raul Seixas chamado Sylvio Passos, que fundou o “Raul Seixas Rock Club”.

Nessa entrevista ele disse que se o Raul ainda estivesse vivo hoje, ao contrário do que muitos pensam, não estaria revoltado com a qualidade das músicas, muito pelo contrário, estaria silencioso, apenas buscando compor novas canções que pudessem pelo menos amenizar um pouco o lixo musical que vem sendo propagado.

Até esse momento tive receio de escrever sobre esse tema, porque não tinha nenhuma comprovação mais fiel de alguém que conviveu com o Raul, mas no fundo, esse era o meu sentimento. Pensava exatamente o que o Sylvio disse na reportagem, então assim que ele falou, na mesma hora eu pensei: “xeque-mate”.

O que me leva a imaginar que seria dessa maneira é que o Raul era um cara extremamente educado e polido. Nos palcos ele era o maluco beleza, estilo rock and roll, porém, no dia a dia ele era tímido e muito simples, falava baixo e respeitava demais as opiniões alheias.

O Raul era muito respeitador e ético. Até mesmo ouvindo suas reportagens, pude constatar na sua fala que ele nunca falava mal de banda alguma nem de ninguém, não citava referências disso ou daquilo e se voltava sempre para o lema “faz o que tu queres, há de ser tudo da lei”.

Além desse ponto, outro ponto que vale ressaltar é que o Raul era estudioso de tudo, inclusive de músicas e bandas. Tenho certeza que com todos os avanços tecnológicos, ele ficaria horas e horas cascavilhando músicas novas e outros artistas que não aparecem nas grandes mídias.

O Raul tinha muita consciência de que as músicas que tocam nas rádios são comerciais e descartáveis, são músicas feitas literalmente para vender discos, promover uma pessoa, deixá-la ter seus “15 minutos de fama”, para depois ser substituída por outra pessoa…

Então provavelmente ele ouviria os artistas incríveis que não aparecem nas rádios e grandes mídias. Não foi à toa que ele compôs a música “Se o rádio não toca”, dizendo para todo mundo: “Se o rádio não toca a música que você quer ouvir é muito simples, é só mudar a estação, é só girar o botão…”.

Espero que tenha gostado desta reflexão e se quiser acrescentar alguma ideia ou reflexão, fique à vontade! Viva Raul!

O que o Raul Seixas pensaria das músicas atuais?

Uma interpretação da música “Sapato 36”

Por Isaias Costa

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Em minha opinião, uma das músicas mais geniais do Raul Seixas é a “Sapato 36”, lançada em 1977, no álbum “No dia em que a Terra parou”. Eu levei muito tempo para entender o real significado da sua letra. Nesse texto, farei uma breve reflexão sobre ela. A letra completa com o vídeo estão logo abaixo.

Sapato 36 – Raul Seixas

Eu calço é 37
Meu pai me dá 36
Dói, mas no dia seguinte
Aperto meu pé outra vez
Eu aperto meu pé outra vez

Pai eu já tô crescidinho
Pague prá ver, que eu aposto
Vou escolher meu sapato
E andar do jeito que eu gosto
E andar do jeito que eu gosto

Por que cargas d’águas
Você acha que tem o direito
De afogar tudo aquilo que eu
Sinto em meu peito
Você só vai ter o respeito que quer
Na realidade
No dia em que você souber respeitar
A minha vontade
Meu pai
Meu pai

Pai já tô indo-me embora
Quero partir sem brigar
Pois eu já escolhi meu sapato
Que não vai mais me apertar
Que não vai mais me apertar
Que não vai mais me apertar

**********

A primeira coisa a dizer é que a interpretação desta música não tem nada a ver com as palavras literais dela. Ou seja, quem tenta interpretá-la literalmente não entendeu nada sobre seu sentido.

Comecei a ouvi-la ainda criança, com meus 7 a 8 anos de idade, e nesse tempo ouvia pensando assim: “Caramba! O Raul era muito rebelde. Não tinha o menor respeito pelo seu pai. Não gostava dele…”. Hoje eu acho graça do tamanho da minha inocência.

O Raul nunca odiou o seu pai biológico! Na realidade eles se davam muito bem e o Raul tinha um respeito imenso por ele. Foi a partir do seu pai, que gostava muito de ler livros de Filosofia, que ele começou a viajar por esse muito fabuloso.

Quem é esse pai dito na música? Sabe quem é? O nosso país! Nosso querido Brasil.

Enfim! Ele reclama do “Sapato 36” como forma de criticar o sistema trabalhista massacrante e cheio de imposições que nosso país sempre teve. Estamos mergulhados num capitalismo selvagem sem tamanho. O Raul não suportava regras, seguir padrões, ser igual a todo mundo, e dizer que vai escolher o “Sapato 37” é uma forma de dizer: “Não vou me adequar a tudo! Não vou ser igual a todo mundo”.

A primeira estrofe fala sobre o CONFORMISMO. Ele fala sobre as pessoas que sentem os pés doerem, já cheios de calos, mas continuam apertando o pé com o “Sapato 36”. Ou seja, as pessoas que NÃO OUSAM, que não saem da MEDIOCRIDADE.

O Raul não! Ele diz já estar “crescidinho”. Isso é para dizer que ele está fora desta triste curva da mediocridade, na qual, infelizmente, está presente a maioria esmagadora das pessoas.

“Vou escolher meu sapato e andar do jeito que eu gosto” quer dizer isso, que ele vai fazer exatamente o que acha melhor para ele e ponto final.

Depois vem o refrão:

Por que cargas d’águas
Você acha que tem o direito
De afogar tudo aquilo que eu
Sinto em meu peito
Você só vai ter o respeito que quer
Na realidade
No dia em que você souber respeitar
A minha vontade
Meu pai
Meu pai

Essa estrofe é bem interessante, porque ele está criticando a “Ditadura Militar”. Ele como cantor e compositor, não podia gravar qualquer música. Tudo que fosse crítica ao sistema de governo era automaticamente barrado. Várias de suas músicas foram barradas pela censura, sendo gravadas e divulgadas anos mais tarde.

Esse afogar o que sente no peito é a proibição de dizer o que pensa e fazer o que se quer de verdade.

Depois ele fala que só respeitará os governantes do Brasil no dia em que lhe respeitarem, o que só aconteceu depois da sua morte. Preste atenção! Os fãs do Raul sempre o veneraram ainda em vida. Porém, seu nome só se tornou um mito depois que ele morreu. É isso que estou querendo dizer. No fim das contas, a vontade do Raul nunca foi respeitada como ele gostaria que fosse…

A última estrofe é a mais genial da música, em minha opinião, pois eu vejo pelo menos 3 interpretações possíveis que são extremamente coerentes. Vejamos!

Pai já tô indo-me embora
Quero partir sem brigar
Pois eu já escolhi meu sapato
Que não vai mais me apertar
Que não vai mais me apertar
Que não vai mais me apertar

Ele está querendo dizer nesta estrofe que já está indo embora e quer partir sem brigar. A primeira e provavelmente a que ele quis dizer é que ele foi embora para os EUA. Nos anos de chumbo da Ditadura, o Raul foi preso e chegaram até mesmo a torturá-lo. Essa música certamente foi inspirada em parte pela raiva que teve que ser contida por ele no ano de 1974, quando isso aconteceu.

Quem lê sobre ele, sabe que ele amava os EUA e praticamente se considerava um norte-americano. Esse sapato que não ia lhe apertar é sua liberdade de estar nos EUA sem repressões ditatoriais do Governo.

A segunda interpretação é que ele escolheu seu sapato chamado música. Ele se realizava com a música e podia ganhar a vida muito tranquilamente com ela. Ou seja, com a música ele não podia se tornar um escravo.

E a terceira interpretação, tão interessante como as outras, tem a ver com sua própria genialidade. Se você percebe! Essa música tem o sentido totalmente diferente do literal, ou seja, ele compunha quase todas as suas músicas nas entrelinhas, exatamente para não ser barrado pela censura. Esse sapato que não vai mais apertar quer dizer isso: “Já que vocês não aceitam minhas músicas, vou colocar tudo o que eu penso de um jeito que só os inteligentes vão entender…”. Tenho certeza absoluta que esse pensamento se passava na cabeça desse gênio chamado Raul.

O que achou? Muito bacana essa música não é? Essa é uma das muitas letras do Raul riquíssimas de conteúdo de mensagens nas entrelinhas.

Vamos aproveitar a mensagem que ele quis passar e também escolhermos nosso próprio sapato, sem deixar ser governado por ninguém. Somos livres e esse era o maior desejo do Raul para as pessoas que lhe seguiam. Sejamos todos LIVRES

Uma interpretação da música “Sapato 36”

Uma interpretação da música “Cachorro Urubu”

Por Isaias Costa

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As músicas do Raul Seixas são repletas de ensinamentos e críticas, principalmente as do início da sua carreira.

Nesse pequeno texto, farei uma interpretação da linda música “Cachorro Urubu”, lançada no seu primeiro álbum solo, o “Krig-ha, Bandolo!”, de 1973. Essa música foi composta por ele em parceria com o Paulo Coelho. Abaixo está a letra completa com o vídeo da música.

Cachorro Urubu – Raul Seixas

Baby, essa estrada
é comprida
Ela não tem saída
É hora de acordar
Pra ver o galo cantar
Pro mundo inteiro escutar

Baby a estória é a mesma
Aprendi na quaresma
Depois do carnaval
A carne é algo mortal
Com multa de avançar sinal

Todo jornal que eu leio
Me diz que a gente já era
Que já não é mais primavera
Oh baby, oh ba…by
A gente ainda nem começou

Baby o que houve na França
Vai mudar nossa dança
Sempre a mesma batalha
Por um cigarro de palha
Navio de cruzar deserto

Todo jornal que eu leio
Me diz que a gente já era
Que já não é mais primavera
Oh, baby, oh baby
A gente ainda nem começou

Baby isso só vai dar certo
Se você ficar perto
Eu sou índio Sioux
Eu sou cachorro urubu
Em guerra com Zé “U”

********

Na primeira estrofe da música, ele faz uma crítica profunda ao sistema de trabalho escravista do Brasil. A estrada comprida é a extensa carga horária e também as grandes distâncias que todos têm que percorrer para irem ao trabalho. Ela não tem saída porque é algo implantado em nossas mentes, somos treinados para sermos escravos. É hora de acordar pra ver o galo cantar pro mundo inteiro escutar tem a ver com a hora que a maior parte das pessoas acorda, entre 4 e 6h da manhã, ou seja, muitos acordam junto com os galos ou até mesmo antes deles…

Na segunda estrofe ele critica os dogmas e preceitos da igreja católica, que considera o sexo um pecado, algo mortal que pode levar para o inferno se for vivido fora do casamento. Eu acho muito engraçado, porque o carnaval foi uma festa criada pela igreja católica. Nesses 4 dias todos podem fazer sexo à vontade, depois vem a quaresma com jejuns e penitência e nada de sexo! É disso que ele está falando nessa estrofe. Aqueles que fazem sexo depois do carnaval de forma “clandestina”, segundo a igreja, estão condenados a irem para o inferno…

O refrão critica os jornais sensacionalistas, que só falam sobre desgraças e notícias de fofoca. A gente ainda nem começou quer dizer que tudo isso que os jornais colocam não é a verdade, porque a verdade é algo absolutamente individual. Ainda há tanta coisa para a humanidade viver que o Raul sacava bem isso e deixou bem explicito nesta música, e eu ratifico! Pode ter certeza, a gente ainda nem começou…

Na segunda parte da música ele fala sobre a Revolução Francesa, que mudou completamente as formas de trabalho no mundo todo. Depois desta revolução, o trabalho se tornou ainda mais escravizante do que já era. A mesma batalha por um cigarro de palha quer dizer que trabalhamos muito para recebermos apenas pequenas migalhas no final do mês, migalhas que mal dão para pagar as contas.

A estrofe final é simplesmente genial. Ele diz que isso só pode dar certo se você ficar perto, esse ficar perto não é perto de distância, mas “esperto”, ou seja, não se deixar engolir pelo sistema massacrante no qual estamos todos inseridos. Ele gostava de escrever nas entrelinhas e essa eu levei muito tempo para entender…

Eu sou um índio Sioux se refere aos índios rebeldes americanos, que brigavam com todas as suas forças para não serem dominados pelos brancos. A maior parte desses índios foram assassinados, mas não se renderam para se tornarem escravos, como fez o Raul, um verdadeiro revolucionário.

Esse cachorro urubu em guerra com Zé “U” são os Estados Unidos, que tem como sigla USA, o “U” vem desta sigla. O nome cachorro urubu tem ligação com um dos Pajés das tribos Sioux dos EUA que se rebelou contra os EUA e o presidente Nixon em 1973, em busca de direitos sobre as suas terras…

Enfim! Essa é uma das muitas músicas repletas de críticas a essa sociedade tão hipócrita em que vivemos. Espero que tenha gostado e busque ser um pouco mais rebelde, um pouco mais cachorro-urubu…

Uma interpretação da música “Cachorro Urubu”

O “outsider” Raul Seixas

Por Isaias Costa

Raul+Seixas+++Brazil++Rock++70sOutro dia li na página “Para sempre Raul Seixas”, no facebook, um trecho bem interessante do livro “Raul Seixas por ele mesmo”, falando dobre o “outsider” Raul, ou seja, um cara que fazia questão de ser diferente de todas as outras pessoas comuns da sociedade.

Vale muio a pena a sua leitura para aprender um pouquinho mais sobre esse genial maluco beleza…

*******

Raul Seixas era um filósofo antes de ser um músico. Se fosse apenas músico, não se diferenciaria muito de Sílvio Brito. É claro que, se fosse apenas filósofo, não se diferenciaria de qualquer louco loquaz comum e ninguém prestaria atenção nele. É a combinação de uma percepção original (e às vezes genial) do mundo, aliada à sua capacidade de transformar isso em música (e letra) que faz de Raul Seixas um personagem fundamental da cultura brasileira. Sei que neste NÃO muito se falará das qualidades artísticas de Raul Seixas, de modo que vou tentar me concentrar em seus postulados filosóficos.


Talvez a melhor maneira de compreender Raul Seixas seja através da leitura de “O outsider”, do inglês Colin Wilson (um autor, aliás, que merece ser redescoberto). Quase tudo o que se conta no livro sobre Nijinski, Van Gogh e Dostoiesvski aplica-se perfeitamente à vida e à obra de Raul Seixas. O “outsider” (tentei fazer uma tradução, mas não consegui) é aquele cara que “vê” o mundo de uma maneira diferente. Ele tem a capacidade de enxergar coisas que o cidadão comum não enxerga. Ele desvenda a superestrutura da sociedade; ele consegue achar os nexos lógicos da vida onde os outros só vêem o caos.


Esta capacidade não leva a uma vida mais feliz. Pelo contrário. Mesmo utilizando a arte para dar vazão ao que vê e sente, o “outsider” sabe que está fora do mundo, acha que não pertence a ele, que sua vida está irremediavelmente afastada das satisfações cotidianas das pessoas normais, do grande exército de “insiders” que povoa este planeta. Solidão quase absoluta (mesmo cercado de amigos e fãs), frustração com a vida amorosa e dificuldade para relacionar-se com as regras e estruturas da sociedade (mesmo as mais simples) são características que Raul Seixas apresentou em toda a sua vida. Vida, aliás, que teve um fim tão triste quanto o de vários de seus colegas “outsiders”.


Raul Seixas falava bastante de uma “Sociedade alternativa”, com a ajuda, é claro, do hoje execrável Paulo Coelho. Para efeitos deste texto, vou desconsiderar quem assina as letras, porque creio que Raul acreditava em cada palavra do que cantava, tendo escrito ou não.


Em “Sociedade alternativa” – “Se eu quero e você quer / tomar banho de chapéu / ou esperar Papai Noel / ou discutir Carlos Gardel / então vá: faz o que tu queres pois é tudo da lei”.


Em “Novo Aeon” – “Querer o meu não é roubar o seu / pois o que eu quero é só função do eu / sociedade alternativa, sociedade novo aeon / é um sapato em cada pé / é direito de ser ateu ou de ter fé / ter prato entupido de comida que cê mais gosta / é ser carregado e carregar gente nas costas / direito de ter riso, de prazer / e até direito de deixar Jesus sofrer.”


Em “As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor” – “Eu já passei por todas as religiões / filosofias, políticas e lutas / aos onze anos de idade eu já desconfiava / da verdade absoluta.”


O que propõe Raul Seixas? Objetivamente, nada. Um de seus versos mais legais é justamente “A única linha que conheço é a linha de empinar uma bandeira”. Ele não era de esquerda, muito menos de direita (se bem que, no seu último disco individual, já bastante fragilizado e confuso, flertou com ela). Anarquista? Acho que não. No máximo aproveitou idéias e imagens dessa turma suficientemente anarquista para evitar o rótulo.


(Na edição especial da revista “Caros amigos” sobre Raul Seixas, o próprio aparece vestindo uma camiseta anarquista, mas, no final de sua vida, inchado pela diabetes e destruído pelo éter, Raul certamente não sabia mais a diferença entre anarquismo e trans-sexualismo.)


Raul Seixas tinha uma relação profissional estreita com a indústria do disco, produziu bastante e procurou adequar-se ao mercado. O que não o impediu de ser um livre atirador. Era um “outsider” clássico, que mandava suas mensagens ao mundo sem se preocupar em consertá-lo. O que seria impossível, pois ele estava completamente fora do mundo.


Mas vamos lá: o que sobrou da sociedade alternativa de Raul, que renega as religiões, filosofias, políticas e lutas que todos conhecemos? O que sobrou da utopia da geração Raul Seixas, que acreditava numa sociedade com outras regras?


Aparentemente, sobrou apenas o “mago” Paulo Coelho, que vende milhões de livros no mundo todo e continuará enganando o pessoal por muitos e muitos anos. Raul Seixas está morto há dez anos e a tal sociedade alternativa nunca saiu do papel. Até seus milhares de fãs, que hoje são identificados pela imprensa como um bando de hippies tardios, continuam sendo apenas uma caricatura – divertida, mas inconseqüente – do próprio Raul. Eles “cantam” a sociedade alternativa, mas não conseguem vivê-la.


Vamos falar a verdade: a sociedade em que vivemos hoje é tão careta e reacionária quanto a de nossos pais e avós. Ninguém consegue viver “diferente”. Ninguém apresenta uma solução nova para as velhas angústias que envolvem o sexo, a constituição de uma família, a divisão de responsabilidades entre homens e mulheres, a relação com os filhos, etc. Talvez tenhamos evoluído um pouco no trato com o homossexualismo, que deixou de ser crime, mas nada que a Grécia antiga já não tenha institucionalizado.


A importância, hoje, de lembrar Raul Seixas é constatar a derrota da nossa geração, que construiu alguma cultura para cuspir na estrutura, mas não a desestabilizou nem um pouco. A democracia representativa, que está morta faz tempo, segue como o único modelo prático de organização política. Que tristeza… A antiga família patriarcal, a “célula mater da sociedade”, continua como único modelo de organização social. Que caretice! E o capitalismo, que antes pelo menos tinha pesadelos com o socialismo, agora posa de único modelo econômico possível num mundo globalizado (argh!). Que horror.


A “sociedade alternativa”, que um dia já pareceu tão possível que levou Raul a ser interrogado e torturado pela ditadura (“Me diz aí o nome dos integrantes dessa sociedade…”) hoje não assustaria nem aos arapongas neo-liberais do Fernando Henrique. Todos se dizem alternativos. Há uma música alternativa, um teatro alternativo, um cinema alternativo. Mas uma “sociedade alternativa” não há. Talvez nunca haja.


Algumas pessoas, é claro, ainda escolhem ter uma vida alternativa. Uma opção individual e que exige uma dose de coragem que beira a loucura. Estas pessoas, caro leitor, estão condenadas. Porque não há, no final do milênio, direito de ter riso, de ter prazer, e muito menos direito de deixar Jesus sofrer.

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O “outsider” Raul Seixas

Gente nasceu pra querer

Por Isaias Costa

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O Raul tem uma música conhecida mais entre seus fãs que contém uma mensagem absolutamente libertadora. Trata-se da música “Gente”.

Nesse texto, farei uma breve reflexão a partir de uma das estrofes. Que segue com o link da música:

Gente nasceu pra querer
Gente tá sempre querendo
Chegar lá no alto
Pra no fim descobrir
Já cansado que tudo é tão chato
Mas o engano é bem fácil de se entender
É que gente
Gente nasceu pra querer

O que o Raul está querendo dizer nesta música é sobre as infinitas insatisfações humanas. Nós somos insatisfeitos por natureza. Basta conquistar algo a mais e logo vem o desejo de ter mais ou algo ainda melhor do que já temos.

Porém, o que o Raul descobriu muito cedo em sua vida é que a busca por apenas coisas materiais é ilusória e leva a uma insatisfação desoladora, que muitas vezes leva até mesmo a casos de depressão, perda do sentido da vida ou pensamentos suicidas.

Sabe aquelas pessoas que têm a nítida sensação de que têm tudo tudo e ao mesmo tempo não têm nada? Pois é! Ele está falando sobre elas…

É por isso que ele diz : “Pra no fim descobrir já cansado que tudo é tão chato…”

Essa música tem uma relação muito direta e profunda com a famosíssima “Ouro de tolo”, na qual ele diz assim:

Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto “E daí?”
Eu tenho uma porção
De coisas grandes pra conquistar
E eu não posso ficar aí parado

Eu me impressiono até hoje pelo fato de tão poucas pessoas compreendem a mensagem desta música. O Raul diz claramente que conseguiu tudo o que o dinheiro pode comprar nessa vida, e mesmo assim, continuava insatisfeito, se sentindo vazio.

Uma pergunta frequente na mente do Raul era essa: “Não pode! O mundo não pode ser só isso! Tem que haver algo mais! E eu vou descobrir esse algo mais…”.

Foi a partir desse momento e destes questionamentos que ele se tornou um MITO. Vou explicar.

Ele fala sobre a opção de coisas grandes para conquistar. Sabe o que são essas coisas grandes? O crescimento espiritual.

Isso mesmo! O Raul aos poucos foi descobrindo que o universo é regido por forças cósmicas, por energias astrais e que a vida não se resume neste corpo físico que habitamos.

Assim surgiu o místico Raul Seixas. Já li bastante e continuo lendo sobre isso. Os grandes mestres da humanidade, todos eles, descobriram que a verdadeira iluminação não está em coisas grandiosas, em nada que seja material, mas está dentro da gente, e se revela na simplicidade.

Se você estudar o Raul Seixas perceberá que depois de sua experiência com as teorias transcendentais, nunca mais ele se importou com dinheiro. Isso passou a ser colocado de lado na sua vida, porque ele descobriu que nunca a felicidade e o sentido da vida estarão nele.

Um exemplo perfeito disso é o mestre dos mestres Jesus Cristo. Ele era carpinteiro. Por quê? Você acredita que com toda a sua sabedoria e inteligência ele seria carpinteiro por motivos banais? De forma nenhuma! Ele o foi porque isso fazia parte de sua missão de vida, que era libertar o povo de Israel e quem mais adentrasse em seu mundo. Ele poderia se tornar extremamente rico financeiramente, mas não o fez por convicção pessoal e pelas próprias palavras que estão na bíblia: “Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.

Infelizmente, na nossa sociedade, ainda existem muito mais pessoas que servem ao dinheiro, e estou aqui lhe convidando a fazer parte daqueles que, como o grande Raulzito, passaram a servir a Deus.

Sim! Raul servia a Deus, não como as igrejas ensinam, mas como Jesus ensinava, passando a mensagem de LIBERDADE e AMOR.

Falei tudo isso para atiçar sua curiosidade. Leia mais sobre Jesus Cristo, não apenas a Bíblia, mas todas as mensagens impressionantes que existem em suas entrelinhas…

Pois é! Estamos todos aqui, 25 anos depois da partida do Raul, e até hoje, pouquíssimos entenderam a sua mensagem.

Ele descobriu na sua busca espiritual o que coloca com maestria em sua música.

E o problema é tão fácil de se entender. É que gente! Gente nasceu pra querer…”

Quero concluir com essa reflexão! Não tenha pressa de respondê-la, tudo bem?

Gente nasceu pra querer…

E então você! O que você quer na sua vida?

Boa reflexão…

Gente nasceu pra querer

Com o que estamos ocupados?

Por Isaias Costa

normose

O Raul repetia de “n” formas em suas músicas que precisamos viver de maneira plena e com significado para as experiências. Ele queria ser uma metamorfose ambulante e um maluco beleza para não ser igual a todo mundo, para não ter aquela velha opinião formada sobre tudo, como infelizmente a maior parte das pessoas têm.

Para refletir sobre isso, compartilho uma pequena frase do grande filósofo Henry David Thoreau.

“Não é suficiente estarmos ocupados, assim também estão as formigas. A questão é, ‘com o que estamos ocupados?'”

Henry David Thoreau

Assim que li essa frase, lembrei imediatamente do grande Raul Seixas na sua célebre S.O.S, uma música genial na qual ele pede socorro aos seres divinos extraterrestres para tirá-lo deste mundo tão cheio de formigas que trafegam sem porque.

Em uma das estrofes ele diz:

Lá por detrás da triste
Linda zona sul
Vai tudo muito bem
Formigas que trafegam
Sem porque…

Essa música do Raul juntamente com essa genial frase do Thoreau servem para nos questionar veementemente: Que tipo de vida estamos levando? Quais são nossos sonhos? Temos consciência dos nossos atos ou estamos vivendo como zumbis que fazem sempre a mesma coisa todos os dias? Nossa vida se transformou em uma rotina maçante?

O Raul nos leva a questionar tudo isso e muito mais nesta música. Não quero me estender nesta reflexão, porque de certa forma já falei sobre isso em um texto anterior, que você pode ler clicando neste link abaixo.

S.O.S: uma interpretação da letra completa

Quero dizer pra você que este não é um texto curto, porque quero compartilhar com você o link do artigo mais longo que já escrevi até hoje e foi publicado no blog “Para além do agora”. Um artigo que pode ajudar a abrir nossa mente e consciência para a espiritualidade, a transcendência e a escolha pessoal por um novo estilo de vida longe desse capitalismo selvagem e cruel que o Raul passou a vida inteira lutando contra e eu estou no mesmo propósito que ele. Estou aqui para honrar o seu nome e toda sua história, levando muitos junto comigo.

Vamos ser diferentes, tornemo-nos mais conscientes refletindo sobre a genialidade deste maluco beleza chamado Raul Seixas.

Gostaria muito de que você lesse esse artigo, que foi resultado de muitos estudos feitos por mim, e gostaria de ter o seu feedback, desta forma todos nós iremos crescer juntos…

Um possível quadro do mundo em um futuro próximo

Com o que estamos ocupados?