O cristianismo deveria se chamar crucianismo

Por Isaias Costa

cruz-cristianismo

Lendo o excelente livro do místico oriental Osho chamado “Palavras de fogo – Reflexões sobre Jesus de Nazaré”, li um trecho que me fez lembrar de uma das mais críticas canções do mestre Raul Seixas, a música “Judas”, que até hoje ainda consegue causar muitas polêmicas, principalmente nos meios mais religiosos!

Farei uma breve reflexão a partir das suas palavras e linkando com a música do Raul. Leia abaixo…

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“Judas e Jesus eram amigos. Na verdade, sem Judas, Jesus não poderia existir. Algo na história fica faltando, algo muito especial está faltando. Pense em Jesus sem Judas. O cristianismo não seria possível. Não haveria nenhum registro de Jesus sem Judas. Em virtude da traição de Judas, Jesus foi crucificado; e como Jesus foi crucificado, o evento tocou no fundo do coração a humanidade.

O cristianismo nasce não devido a Cristo, mas devido à cruz. Assim, eu preferiria que o cristianismo fosse chamado de crucianismo. Ele não deveria ser relacionado a Cristo, mas à cruz.

Se você for às igrejas, verá que a cruz se eleva mais alto do que Jesus. Os bispos e os papas usam a cruz. O cristianismo nasceu da cruz. Mas, se você pensar isso, então quem é o autor da crucificação? – Judas, não Jesus.”

Osho

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É muito verdadeiro o que o Osho está dizendo com essas palavras. Judas é visto sempre como alguém perverso, alguém “do mal”, sendo que ele era sem sombra de dúvidas o apóstolo mais inteligente e preparado em termos de recursos entre os 12.

Ele era o mais estudado e o mais arguto também! Entendia como ninguém de finanças e economia e estava sempre lado a lado com Jesus lhe ajudando a fazer com que as peregrinações dos apóstolos se desse da melhor forma possível e com menos custos!

A verdade é que Jesus e Judas eram muito amigos. Não foi à toa que ele se suicidou não é mesmo? Ele jamais teria feito isso se não tivesse sido íntimo do mestre dos mestres Jesus!

Essas palavras do Osho lembram principalmente esse trecho da música: “Se eu não tivesse traído, morreria cercado de luz, e o mundo hoje então não teria a marca sagrada da cruz. E para provar que ele amava, pediu outro gesto de amor, pediu que o traísse com um beijo que minha boca então marcou…”.

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O evangelho apócrifo de Judas nos conta essa versão que a igreja católica abomina! Eu acho bem provável que o Raul tenha lido o evangelho de Judas “de cabo a rabo”, como se diz, e assim se inspirou para compor essa linda música!

Não se pode afirmar com 100% de certeza que essa é a “versão verdadeira”, porque existem mistérios infindáveis que circundam a pessoa de Jesus Cristo, mas eu simpatizo enormemente com essa versão de Judas!

Se Jesus não tivesse sido crucificado talvez hoje ele não passasse de mais um dos muitos profetas que nosso mundo já teve.

Eu acho muito interessante essa simbologia da morte! Ninguém pensa com profundidade sobre isso! O símbolo do cristianismo é um símbolo de morte terrível , dos mais cruéis que o ser humano da foi capaz de fazer, uma cruz.

Quando converso com amigos eu sempre brinco com essa simbologia. Eu digo assim: “Se Jesus tivesse morrido enforcado, o símbolo do cristianismo seria uma forca. Se ele tivesse morrido guilhotinado, o símbolo do cristianismo seria uma guilhotina ou se ele tivesse morrido eletrocutado, o símbolo do cristianismo seria uma cadeira elétrica, tudo isso pendurado no pescoço…”. Você já pensou que coisa mais macabra? Pois é! Bem vindo aos preceitos cristãos!

Talvez alguém leia esse texto pensando que estou de gozação, mas não estou! Escrevo isso pra que você se questione sobre as bases do cristianismo, que a meu ver, não tem absolutamente nada, repito, ABSOLUTAMENTE nada a ver com o mestre Jesus!

Quem lê meus textos sabe que eu tenha uma verdadeira fascinação pela sabedoria do Cristo. Eu digo o mesmo do grande Raul Seixas e digo o mesmo do místico Osho! Todos nós somos apaixonados pelo mestre Jesus, mas por quem ele foi de verdade, não o falso Jesus ensinado pelas religiões cristãs!

É preciso que tiremos da nossa cabeça e principalmente das nossas crenças mais arraigadas, essa ideia do sofrimento imenso que vem com a cruz de Cristo!

Quando vemos Jesus nas igrejas ele está com uma cara triste e cabisbaixa, como se sua morte na cruz tivesse sido um tormento sem medidas! É óbvio que ele sofreu muito e sentiu dores colossais, porém, no ápice da dor ele chegou a dizer: “Pai, perdoa-os, porque eles não sabem o que fazem…”.

Ele era tão amoroso e compassivo que mesmo nesse momento ele sabia olhar para os outros seres humanos! Como não amá-lo? Impossível!

As religiões se focam nessa dor de Jesus, sendo que ele era um poço de alegria, saúde e prosperidade! Ele ensinava a todos como ter uma vida com plenitude e beatitude, mas não nos focamos nesse lado. Por que? Para que continuemos sendo escravos dos padres e pastores e não alcancemos a verdadeira felicidade que provém da liberdade que Jesus tanto ensinava!

Jesus veio ao mundo para nos ensinar a sermos LIVRES e PLENOS. E esse caminho passa inevitavelmente por Judas! E no século XX acaba sendo resgatado pelo nosso baiano magricelo Raul Seixas e no século XXI por mim também!

Eu me sinto honrado em lhe ajudar a refletir sobre questões tão profundas nesse blog junto comigo e o Raulzito!

Concluo esse breve texto com essa linda música para animar a sua trilha sonora nesse dia!

“- Ei! Quem é você? Vamos responda?

Eu sou, eu sou JUDAS…”

 

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O cristianismo deveria se chamar crucianismo

2 comentários sobre “O cristianismo deveria se chamar crucianismo

  1. José Teógenes Abreu disse:

    Caro Isaías, jamais li Osho, portanto, sou dado a opinar apenas pelo excerto posto por você no texto acima. Não vejo judas como uma figura central na missão jesuânica. A traição de Judas levou Jesus à cruz. Outros dois, a quem a tradução bíblica chama “ladrões” também o foram, e sem a participação de Judas. No entanto, Cristo ressuscitou. E perdoou um dos crucificados com ele, por sua demonstração de crença no Filho de Deus. A ressurreição e a misericórdia são a grande novidade na pregação de Jesus, ambas atualizadas pela narrativa evangélica. A cruz remete à derrota. A signo do poder imanente sobre o transcendente. O inverso dessa prevalência acontece com a ressurreição. O ápice da mensagem cristã é a vida eterna. A morte não é o fim. Nascer é começar factualmente para a morte. Morrer é começar potencialmente para a vida. Um grande abraço e parabéns pelo blog.

    1. Exatamente meu amigo Teógenes! Você realmente consegue ver o mestre Jesus como ele realmente é! Alguém que veio nos ensinar a “ter vida e vida em plenitude”, como ele mesmo dizia! Foi isso que critiquei nesse texto. As religiões cristãs, de um modo geral, não se focam nessa mensagem maravilhosa da vida eterna, mais se foca muito mais no arrependimento, no sacrifício por Jesus, e essa visão limita o nosso crescimento em consciência entende? Esse foi o maior objetivo desse texto, levar cada leitor a ver o lado mais bonito e profundo de Jesus e não se focar na sua agonia na cruz! Agonia por agonia já basta a que todos nós vivenciamos todos os dias nas experiências pessoais!
      Muito obrigado pela sua excelente contribuição! O blog está e estará sempre de portas abertas para receber suas ideias tão enriquecedoras! Grande abraço!

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